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Prefeitura de Rio Branco apresenta a Embrapa práticas de segurança alimentar e combate à fome

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Objetivo do projeto é incentivar a troca de experiências sobre agendas alimentares urbanas entre cidades brasileiras e europeias (Foto: Val Fernandes/Assecom)

A Prefeitura de Rio Branco recebeu na última semana, entre os dias 07 e 09 de março, uma equipe da Embrapa Alimentos e Territórios para dar continuidade a agenda do projeto “Diálogos União Europeia – Brasil: “Cidades e Alimentação: Governança e Boas Práticas para alavancar os Sistemas Alimentares Urbanos Circulares”, desenvolvido em parceria com o Laboratório Urbano de Políticas Públicas Alimentares (LUPPA), WWF e União Europeia.

O objetivo do projeto é incentivar a troca de experiências sobre agendas alimentares urbanas entre cidades brasileiras e europeias, e engajar cidades na implementação de sistemas alimentares circulares que abordem a mitigação do desperdício de alimentos, tanto para beneficiar o meio ambiente, quanto para incentivar a economia.

As secretarias municipais de Assistência Social e Direitos Humanos (SASDH), Meio Ambiente (Semeia), Agropecuária (Seagro), Educação (Seme), Saúde (Semsa), Planejamento, Desenvolvimento, Tecnologia e Inovação(Seplan/SDTI), que compõem a Câmara Interministerial de Segurança Alimentar e Nutricional (CAISAN), também são parceiras, contribuindo mutuamente para a garantia de direitos e deveres neste projeto.

A primeira visita foi a Unidade de Tratamento de Resíduos Sólidos (UTRE), administrada pela Semeia. Diariamente a unidade recebe cerca de 3 toneladas de alimentos vencidos provenientes de mercados, distribuidoras e feiras. De acordo com a coordenação do local, o ideal seria que esse material nem chegasse à unidade, sendo aproveitado a tempo. No entanto, o que chega é transformado em adubo.

“Quando ele material chega na Utre, ele vai para o composto, para beneficiar hortas e canteiros.”, enfatizou o secretário da Semeia, Carlos Nasserala.

Segundo o coordenador da Utre, Kemmil Lima a Unidade trata todos os resíduos produzidos pelas residências, mercados, distribuidoras de alimentos.

“A partir do momento que ele dá entrada aqui na unidade é feita uma triagem. Aquilo que pode ser utilizado na compostagem, aquilo que pode ser reciclado, e o rejeito que não tem mais utilidade é levado para a célula de aterro sanitário.”

De acordo com o pesquisador da Embrapa Alimentos e Territórios, Gustavo Porpino a compostagem é uma iniciativa muito válida para diminuir o impacto ambiental negativo do desperdício de alimentos, e que talvez o desafio maior seja sensibilizar os varejistas locais e conectá-los ao banco de alimentos e restaurante popular.

“Essa é uma alternativa que tem que ser fomentada, inclusive com outros marcos legais, uma legislação até de abrangência federal que possa incentivar mais varejistas a doar o alimento em vez de descartar para unidades de tratamento de resíduos sólidos como esta.”

A equipe também acompanhou o trabalho realizado na Central de Abastecimento de Rio Branco, que atualmente possui 350 produtores cadastrados, e seu Banco de Alimentos, o qual busca reduzir o desperdício que ocorre na Ceasa, e direciona para as 83 entidades de assistência social cadastradas pela prefeitura.

Eracides Caetano, secretário municipal de Agropecuária informou que eles querem incentivar o pequeno produtor.

“Queremos incentivar a agricultura familiar e também levar até o pessoal que está na cidade, que tem terrenos, espaços para poder produzir hortaliças. Isso vai ajudar muito na alimentação de qualidade e também na questão de incentivo.”

Outra bela iniciativa municipal, visitada pela equipe, foi o projeto “hortas e fazendinhas” iniciado na escola Chrizarubina Leitão, e que hoje é desenvolvido em mais 5 escolas. As crianças escolhem o tipo de alimento que querem plantar e acompanham o desenvolvimento e benefícios das frutas e hortaliças.

“Eles escolhem qual vai ser a receita que vai ser executada, e antes de fazer, os alunos estudam a escrita dos ingredientes, a quantidade. Quando elas preparam essa receita é para a escola toda, que faz a degustação”, disse Luciana Felício, diretora da Escola.

Após o uso, as hortaliças excedentes da produção são vendidas para a comunidade mesmo e o dinheiro usado para compra de mais insumos do projeto. O que de acordo com a direção, incentiva o empreendedorismo, melhora a qualidade do ensino e a consciência ecológica, para fazê-los entender que é uma fonte de renda.

O projeto foi idealizado pelo prefeito de Rio Branco Tião Bocalom e o objetivo é estendê-lo à todas as escolas do município.  A coordenadora do projeto hortas e fazendinhas, Marilu Aguilar explicou sua  importância.

“Para eles entenderem como é que esse produto chega no mercado, como é produzido e para ser consumido com mais carinho, conhecendo o valor que ela tem.”

O Restaurante Popular que auxilia no combate a fome em Rio Branco, fornecendo marmitas para pessoas que se encontram em situação de vulnerabilidade social, também recebeu a equipe. O local é responsável pela produção da comida até o transporte aos locais. Em média 185 marmitas são destinadas ao Centro Pop e aos abrigos Dona Elsa e Imigrantes, além das cerca de 650 refeições diárias servidas aos cadastrados no CadÚnico. Outro incentivo às famílias carentes é o cultivo de hortifruti em terrenos da prefeitura, com a finalidade de geração de renda e o bom uso de espaços abandonados.
Deusa mora no bairro vitória, próximo ao Edson Cadaxo onde se encontra um dos espaços que a prefeitura transformou em horta comunitária. Ela e mais duas famílias compartilham dos cuidados e dos lucros que a horta oferece e confirma o apoio dado pela gestão.

“Trabalho com verduras, plantas e terra. Eles dão assistência no caminhão, adubo, lona e madeira. Quando tem, eles ajudam a gente de todo jeito. Não tenho nem palavras para agradecer”, destacou.

Segundo a secretária de Planejamento Neiva Tessinari foram identificados vários vazios urbanos na capital e para alguns deles a gestão já tem um planejamento.

“Alguns serão direcionados para as hortas comunitárias, outros estamos estudando, porque tem que se considerar a questão do solo, e qual seria a melhor metodologia que podemos usar que venha beneficiar a comunidade de alguma forma”, explicou Neiva Tessinari.

Um dos principais pontos de comercialização da produção dos agricultores de Rio Branco é o Mercado Elias Mansour. Além das feiras de bairros onde os produtores vendem diretamente seus produtos. A Seagro auxilia no escoamento da produção, transporte diário, montagem e desmontagem das bancas nas feiras, assistência técnica quando solicitada, adubo, calcário e mecanização de ramais, priorizando o transporte para a produção.

Isso é ótimo porque nós temos caminhão de madrugada para trazer a nossa produção para o Elias Mansour. Eu não tenho do que reclamar. Na hora que a gente liga, eles mandam o transporte”, informou a agricultora Irisnéia Cerqueira.

Gustavo Porpino explica que após a identificação e análise das boas práticas nas 5 cidades selecionadas, Rio Branco, Santarém, Curitiba, Recife e Maricá, haverá a troca de conhecimentos entre elas e também com as cidades da União Europeia que estão no projeto. No intuito de que a sociedade como um todo possa abraçar o fortalecimento da segurança alimentar e a redução das perdas de alimentos.

“Com isso a gente acredita que possa fomentar também outros projetos de cooperação, que possam fortalecer, por exemplo, a operação do banco de alimentos aqui de Rio Branco, que é um instrumento interessante para enfrentar, tanto o desperdício, quanto combater a fome. Eu acho que um passo importante também é fortalecer parcerias público-privadas.”

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