Rio Branco celebra o Dia dos Geoglifos com programação que une turismo, ciência e educação patrimonial
Evento promovido pela Prefeitura de Rio Branco reúne pesquisadores, estudantes e a comunidade para valorizar um dos maiores patrimônios arqueológicos do Acre
Sob a densa vegetação amazônica, permanecem preservados vestígios de povos que habitaram o sudoeste da Amazônia há milhares de anos. Desenhados no solo em diferentes formas geométricas, os geoglifos fazem do Acre uma referência em pesquisas arqueológicas. Atualmente, cerca de 1.200 sítios arqueológicos desse tipo estão registrados no estado, sendo 81 deles localizados em Rio Branco, o que reforça a importância da capital na preservação desse patrimônio histórico e cultural.
Com o objetivo de aproximar a população dessa riqueza ancestral, a Prefeitura de Rio Branco, por meio da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, Turismo, Tecnologia e Inovação, abriu, nesta sexta-feira (26), a programação alusiva ao Dia dos Geoglifos, no Horto Florestal.
Representando o prefeito de Rio Branco Alysson Bestene, a primeira-dama Roberta Lins participou da abertura do evento, que reúne pesquisadores, estudantes, representantes de instituições e visitantes. (Foto: Thaynar Moura/Secom)
Representando o prefeito de Rio Branco Alysson Bestene, a primeira-dama Roberta Lins participou da abertura do evento, que reúne pesquisadores, estudantes, representantes de instituições e visitantes em uma programação voltada à educação patrimonial, ao turismo e à valorização da história acreana.
Entre as atrações estão trilha interpretativa acompanhada pelo Corpo de Bombeiros, palestras, debates e exposição de peças arqueológicas. (Foto: Thaynar Moura/Secom)
As atividades seguem durante todo o fim de semana, com programação também no sábado (27) e no domingo (28). Entre as atrações estão trilha interpretativa acompanhada pelo Corpo de Bombeiros, palestras, debates e exposição de peças arqueológicas, proporcionando ao público uma experiência de contato com a natureza e com a história dos povos originários responsáveis pela construção dos geoglifos.
Durante o evento, o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Turismo, Tecnologia e Inovação, cel. Ezequiel Bino, destacou que a iniciativa marca o início de uma nova tradição no calendário da capital.
“A partir de 2026, todos os anos, nós teremos a Semana em homenagem aos geoglifos, porque é um patrimônio nosso, uma singularidade do Acre”, afirmou o secretário municipal, cel. Ezequiel Bino. (Foto: Thaynar Moura/Secom)
“A partir de 2026, todos os anos, nós teremos a Semana em homenagem aos geoglifos, porque é um patrimônio nosso, uma singularidade do Acre. Dos mil geoglifos identificados, 81 estão aqui, muitos na área urbana. Precisamos valorizar essa riqueza, porque vemos pessoas vindo de outros países para conhecer e pesquisar, enquanto muitos de nós ainda não conhecemos esse patrimônio. Queremos que a população se aproprie dessa história e reconheça também o seu potencial turístico”, afirmou o titular da pasta.
Além de incentivar a visitação, a programação busca despertar na população o interesse pela preservação dos geoglifos. (Foto: Thaynar Moura/Secom)
Além de incentivar a visitação, a programação busca despertar na população o interesse pela preservação dos geoglifos, que continuam sendo objeto de pesquisas arqueológicas desenvolvidas por universidades e instituições de diferentes regiões do país.
Pesquisador dos geoglifos acreanos há três anos, o professor da Universidade Federal do Pará (UFPA), Rhuan Carlos Lopes, explicou que a data comemorativa fortalece o diálogo entre a ciência, o poder público e a sociedade.
Pesquisador dos geoglifos acreanos há três anos, professor da Universidade Federal do Pará (UFPA), Rhuan Carlos Lopes. (Foto: Thaynar Moura/Secom)
“As datas comemorativas são importantes porque divulgam a importância desse patrimônio. Os povos indígenas já conhecem os geoglifos, assim como a arqueologia e as universidades. Agora precisamos aproximar outros públicos, como as escolas, a população em geral e as instituições públicas que trabalham com turismo e pesquisa. Esse diálogo é fundamental para fortalecer a preservação desse patrimônio”, ressaltou o pesquisador.
As pesquisas também reforçam a relação histórica dos geoglifos com populações que ocuparam não apenas o Acre, mas também outras áreas da Amazônia. (Foto: Thaynar Moura/Secom)
Segundo Rhuan Carlos Lopes, os estudos realizados ao longo dos últimos anos têm permitido compreender melhor como essas estruturas foram construídas, de que forma eram utilizadas e qual significado possuíam para os povos indígenas responsáveis por sua criação. As pesquisas também reforçam a relação histórica dos geoglifos com populações que ocuparam não apenas o Acre, mas também outras áreas da Amazônia.
A superintendente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) no Acre, Antônia Barbosa, destacou que ações como essa aproximam a comunidade de um patrimônio que pertence a todos os acreanos.
A superintendente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) no Acre, Antônia Barbosa. (Foto: Thaynar Moura/Secom)
“Esse evento foi pensado justamente para fazer com que as pessoas conheçam mais esse patrimônio. A Prefeitura fez o pedido para que Rio Branco seja reconhecida como a Capital dos Geoglifos, porque foi aqui que os primeiros sítios arqueológicos dessa tipologia foram descobertos. Queremos que a população conheça, valorize e se aproprie desse riquíssimo patrimônio”, enfatizou Antônia.
Ao reunir turismo, pesquisa, educação e preservação ambiental, a programação do Dia dos Geoglifos reforça o compromisso da Prefeitura de Rio Branco em ampliar o acesso da população ao patrimônio arqueológico acreano e incentivar a valorização de uma história que continua despertando o interesse de pesquisadores e visitantes do Brasil e do exterior.