A Prefeitura está levando atendimento de saúde a comunidades ribeirinhas do Riozinho do Rola por meio do programa Saúde Rural, na edição Itinerante Fluvial
Nas primeiras horas da manhã, quando o dia ainda começa a clarear às margens do Riozinho do Rola, o silêncio das comunidades ribeirinhas dá lugar ao movimento das embarcações que sobem o rio, carregando equipamentos, medicamentos e profissionais de saúde. Para muitos moradores da região, é dessa forma que o atendimento médico chega.
Com o intuito de atender localidades distante que a Prefeitura de Rio Branco está levando neste mês de março, atendimento de saúde a comunidades ribeirinhas do Riozinho do Rola por meio do programa Saúde Rural, na edição Itinerante Fluvial. A iniciativa mobiliza dezenas de profissionais que percorrem o rio em embarcações, garantindo consultas médicas, exames, vacinação, medicamentos e outros serviços essenciais para moradores de regiões de difícil acesso.
A ação mobiliza profissionais que levam, por via fluvial, atendimento de saúde e serviços essenciais a comunidades de difícil acesso. (Foto: Átilas Moura/Secom)
Criado em 2005, o programa, originalmente chamado de Saúde na Comunidade, hoje é conhecido como Saúde Rural. Ao longo de mais de 30 dias, a edição itinerante fluvial percorre comunidades às margens do Riozinho do Rola e de seus afluentes.
Ao todo, a ação reúne 72 profissionais de diversas áreas da saúde, distribuídos em 15 embarcações, levando consultas médicas, atendimento odontológico, exames, vacinação, medicamentos e orientações de prevenção. Para muitas dessas famílias, o itinerante representa a única oportunidade de receber assistência em saúde sem precisar enfrentar longas viagens até a cidade.
Durante mais de 30 dias, a ação itinerante pelos rios percorre comunidades ao longo do Riozinho do Rola e seus afluentes. (Foto: Átilas Moura/Secom)
Assim que as embarcações deixam a capital, o trabalho já começa. O atendimento não espera necessariamente o barco atracar. Ao longo do percurso, as equipes param em comunidades, pequenas casas à beira do rio ou em qualquer ponto onde alguém esteja precisando de ajuda.
“Desde que saímos da cidade, já estamos à disposição das comunidades, atendendo tanto nos pontos de parada quanto ao longo do trajeto”, contou Rejane Almeida. (Foto: Átilas Moura/Secom)
A chefe da Divisão de Populações Rurais e Ribeirinhas, Rejane Almeida, acompanha o programa há mais de uma década e destaca a dinâmica do atendimento ao longo do trajeto.
“A partir do momento em que soltamos a cordinha da cidade, já estamos à disposição dessas comunidades. Muitas vezes, quando chegamos a um local, já há pessoas esperando; em outras ocasiões, somos chamados ainda no caminho para realizar atendimento”, contou Rejane Almeida.
Ação conta com 72 profissionais em 15 embarcações, oferecendo atendimentos de saúde, exames, vacinação, medicamentos e orientações de prevenção. (Foto: Átilas Moura/Secom)
Segundo ela, o trabalho exige planejamento e adaptação constantes para garantir que a assistência chegue a todas as comunidades. “Precisamos calcular quanto de combustível será gasto, quanta água vamos consumir e quanta alimentação precisamos levar. São mais de 30 dias com uma equipe grande, então tudo precisa ser muito bem organizado para que nada falte”, explicou.
A dimensão do itinerante impressiona. Em algumas comunidades, o número de atendimentos pode ultrapassar 350 pessoas em um único dia. No ano passado, a ação registrou cerca de 35 mil procedimentos realizados ao longo de aproximadamente 30 dias de trabalho, distribuídos em diversos pontos de atendimento ao longo do rio.
“Realizamos diagnósticos básicos que não estavam acessíveis à comunidade, identificamos casos de tracoma em crianças já tratadas e encaminhamos uma adolescente para investigação e tratamento adequados”, explicou Paola. (Foto: Átilas Moura/Secom)
Para quem integra a equipe de saúde, a experiência também é marcante. A médica de Família e Comunidade, Paola Lima, afirmou que a ação permite levar diagnósticos e orientações importantes a comunidades que, muitas vezes, têm pouco acesso a consultas médicas.
“Hoje fizemos diagnósticos que são básicos, mas aos quais essa comunidade não tinha acesso. Encontramos casos de tracoma em crianças que estavam sem diagnóstico e já receberam tratamento. Também avaliamos uma adolescente que precisava de uma investigação mais detalhada e conseguimos encaminhá-la para o tratamento correto”, explicou.
Para muitas dessas famílias, o itinerante representa a única oportunidade de receber assistência em saúde sem precisar enfrentar longas viagens até a cidade. (Foto: Átilas Moura/Secom)
Segundo ela, mesmo quando não é possível resolver tudo naquele momento, o atendimento já representa um passo importante para garantir o cuidado adequado.
“Nem tudo conseguimos resolver aqui, mas conseguimos colocar esse paciente no caminho certo, garantindo um diagnóstico e um encaminhamento adequados. Isso é um direito que essas pessoas têm”, afirmou.
Para a médica, participar da ação também é motivo de satisfação profissional. “Eu me identifico muito com esse tipo de atendimento. Às vezes é cansativo, mas o sentimento maior é de gratidão por poder contribuir”, disse.
(Foto: Átilas Moura/Secom)
Nas comunidades, a chegada das embarcações é aguardada com expectativa. Morador da comunidade Barro Alto há 35 anos, Antônio Augusto, conhecido como Barbudo, acompanhou de perto a evolução do programa ao longo das últimas décadas.
“Já são mais de 20 anos de itinerante. Quando começou, era tudo mais simples. Hoje está tudo mais estruturado. Esse trabalho beneficia muita gente e está cada vez mais amplo”, contou o morador.
“Há mais de 20 anos, a ação itinerante evoluiu de algo simples para um serviço estruturado, ampliando o atendimento e beneficiando cada vez mais pessoas”, contou o morador Antonio. (Foto: Átilas Moura/Secom)
Para ele, o itinerante representa respeito e cuidado com quem vive distante da cidade. “Nem todo mundo tem transporte para ir até Rio Branco. Por isso, quando o itinerante chega aqui, é uma grande ajuda, porque traz os atendimentos até a comunidade. Eu sempre digo que esse trabalho não é nota dez, é nota mil”, afirmou.
Morador da comunidade Água Preta, o agricultor Francisco Alves, de 64 anos, também fez questão de aproveitar a ação. Para receber atendimento, ele saiu de casa de barco e atravessou o Riozinho do Rola até a comunidade Barro Alto, onde a equipe realizava os atendimentos naquele dia.
Morador da comunidade Água Preta, o agricultor Francisco Alves, de 64 anos, atravessou o Riozinho do Rola de barco até a comunidade Barro Alto para receber atendimento da equipe. (Foto: Átilas Moura/Secom)
“Para a gente sair daqui até a cidade é muito difícil, principalmente no inverno. De barco, são cerca de quatro horas até Rio Branco. Quando chegamos lá, ainda há despesas e nem sempre conseguimos resolver tudo no mesmo dia”, relatou.
Mesmo precisando se deslocar até outra comunidade, ele afirmou que a presença da equipe na região já facilita muito a vida dos moradores.
Enquanto as embarcações levam atendimento às comunidades ribeirinhas, o Saúde Rural Itinerante Fluvial reforça o compromisso de garantir cuidado a todos, mesmo onde não há acesso por estrada. (Foto: Átilas Moura/Secom)
“Aqui a gente consegue resolver muita coisa no mesmo dia. Tem médico, dentista, medição de pressão. A gente vem cedo, é atendido e logo volta para casa. Isso ajuda muito a comunidade”, disse.
Enquanto os barcos seguem levando atendimento a cada parada e aproximando os serviços de saúde de quem vive às margens do Riozinho do Rola, o Saúde Rural, na edição Itinerante Fluvial, reafirma um compromisso que atravessa rios e distâncias: o de garantir que o cuidado chegue a todos, inclusive onde a estrada não alcança.