Últimas Notícias

Rio Acre não para de subir e cheia já é a maior catástrofe do século na Amazônia

Publicado em Terça, 03 Março 2015 21:16

Os bairros de Rio Branco sofrem demasiadamente com a cheia do Rio Acre. Famílias tradicionais, que moram há dezenas de anos no Seis de Agosto são obrigadas a abandonar seus lares para refugiar-se em casa de parentes e amigos, ou nos abrigos públicos mantidos pela prefeitura e governo. A água tomou conta de tudo e, não bastasse a alagação em si, o transbordamento além da calha superior provoca perigosas correntezas capazes de arrastar embarcações e crianças na Avenida Seis de Agosto e ruas adjacentes.

 
Se o tema é impactos da alagação, o  Seis de Agosto é emblemático. São comuns imagens de moradores desolados, sentados em qualquer lugar onde se possa mirar o nada, pensando na catástrofe que bateu à porta de casa, invadiu o lar e não reluta em expulsar mesmo os mais teimosos. “Quero sair”, disse com os olhos marejados de lágrimas a dona de casa Maria José, que abordou o presidente da Empresa Municipal de Urbanização de Rio Branco (EMURB), Jackson Marinheiro, para pedir-lhe socorro. Moradora da Travessa Praxedes, Maria José é uma das poucas que ainda permanecem em casa mesmo vendo o rio subir a níveis catastróficos. Às 20h desta terça-feira, 3, o rio cravou 18,24 metros, algo jamais visto pela população. Não há nada parecido com esse fenômeno na Amazônia neste século.
 
Com a elevação constante e severa, a mancha de água só pode ser mesmo acompanhada com tecnologia. Para isso, a Secretaria Municipal de Desenvolvimento e Gestão Urbana (SMDGU) produz até três mapas por dia atualizando a mancha de água na cidade. Pelo mapa, construído utilizando o software ArcGIS, a Defesa Civil vê claramente as áreas alagadas, os mananciais que provocam determinada inundação e a dimensão do fenômeno. O ArcGIS é uma ferramenta que complementa o georeferenciamento. Com a sobreposição da imagem gereferenciada o software constrói o mapa da mancha de água em Rio Branco, facilitando a compreensão do fenômeno e abrindo possibilidades para enfrentá-lo. Não fossem instrumentos como esse, o monitoramento seria mais complicado.
 
Três pontes que ligam as duas partes da capital, o 1º e o 2º Distritos, estão interditadas. Duas delas por questões de segurança e a terceira por moradores que, com suas casas inundadas, exigem vagas em abrigos. Apenas a 3ª ponte está livre para circulação. Com isso, longos congestionamentos acontecem no Centro. O Governo e a Prefeitura prorrogaram o ponto facultativo nas repartições pública para até o fim de semana, mais uma medida para reduzir o movimento no centro da cidade e mobilizar o maior número de voluntários a serviço das famílias que estão afligidas pela cheia.
 
Toda a cidade sofre muito nestes dias de inédito caos. A ordem, em muitas frentes de serviço da Defesa Civil (só a Prefeitura criou oito pontos de atendimento aos voluntários e alagados, distribuindo água potável, alimento e remédio) era simplesmente “organizar minimamente o caos”. Assim mesmo, ninguém fica sem atendimento. “Demora um pouco, mas chega”, disse um voluntário que em situação normal trabalha para o Departamento Estadual de Estradas de Rodagem do Acre (DERACRE). Esses pontos de referência são coordenados por um secretário municipal, como o ponto da Seis de Agosto, localizado a 30 metros da cabeceira da 4ª ponte na Avenida Amadeo Barbosa, é gerenciada pelo presidente da EMURB.
 
Moradores que permanecem nas casas mesmo com a água acima de um metro, correm sérios riscos e sofrem com a falta de muita coisa, inclusive a energia elétrica. Por medida de segurança a Eletrobrás está cortando o fornecimento de eletricidades nas áreas alagadas. O prefeito Marcus Alexandre acompanha detalhadamente os serviços, visitando diariamente os bairros alagados, apoiando a coordenação nos pontos de referência e fazendo a análise dos dados da Defesa Civil – e alertando para os problemas que os moradores enfrentam ao ficar em casa diante da alagação  iminente.
 
Pontos tradicionais e mercados debaixo d´água
 
Localidades tradicionais que foram tomadas pelas águas, como o Calçadão da Benjamim Constant, tiveram a luz desligada. Ali estão mais de 200 comerciantes, levando-se em conta que a região agrega outros espaços, como o Mercado Aziz Abucater e as pensões Raimundo Benício de Melo, próximas ao Terminal Urbano, os quais também estão alagados.
 
Os mercados vivem um cenário de doer o coração. “Em 25 anos que trabalho na beira do rio nunca vi nada igual”, afirmou o comerciante Francisco Carlos Belarmino, dono da Comercial Beira Rio, instalada dentro do Aziz Abucater e completamente alagada. E esta é a segunda tragédia que ele vive desde que trabalha na orla do rio: há dois anos, ele viu seu comércio ser destruído pelo incêndio que acabou completamente com vários estabelecimentos localizados aos fundos do mercado. A Prefeitura está construindo novos boxes no local, também afetados nesta cheia sem precedentes. Os boxes abrigarão oficinas de conserto de motor de barco, uma de conserto de bicicleta e outra de consertos gerais. Os outros comércios foram realocados e acompanhados pela secretaria de agricultura, que é responsável pelos mercados municipais. “O problema é que nossa capacidade empresarial foi perdida no incêndio. Não podemos perder ainda mais agora”, disse Berlamino, lembrando que o prefeito Marcus Alexandre “foi um guerreiro” em favor das vítimas do fogo, mas qualquer outra melhoria esbarrou na burocracia dos bancos e agências de fomento. Seu colega e também vítima do incêndio de 2013, o mecânico de motor de barcos Renato Batista, está assustado. “Já vi bastante cheia, mas nunca imaginei que essa água fosse chegar aqui”, espanta-se em meio à oficina alagada. “De modo geral a situação está sob controle. Os permissionários foram todos avisados previamente e conseguiram remover suas mercadorias”, disse Juliana Alves, coordenadora dos mercados de Rio Branco pela Secretaria Municipal de Floresta e Agricultura (SAFRA).
 
O Mercado Flávio Pimentel, na Seis de Agosto, está debaixo d´água e o último comerciante a fechar as portas, Laucimar Souza já foi jornalista e agora vende farinha de mandioca no Segundo Distrito. Com uma pequena canoa, ele faz incursões esporádicas à loja que toca com a mãe no Flávio Pimentel  e também vive a tensão do fenômeno: “Só Deus para nos ajudar”. O prejuízo está sendo grande, dizem os comerciantes.
 
Ruas encobertas pela água retratam dor e esperança
 
Adentrar aos bairros alagados é surpreender-se com o cenário diluviano. Ao percorrer de canoa as ruas tomadas pelas águas o observador testemunhará situações bizarras, como galinhas e patos junto com cães e gatos descansando nos telhados e gente sentada em cadeiras de balanço nas varandas com 1,5 metro de água. Em geral, ao serem questionados por que permanecem debaixo d´água respondem simplesmente “vou ficar”.
 
A Baixada da Habitasa, o Seis de Agosto, e a Baixada da Cadeia Velha são emblemáticos nesse quesito. Quem não saiu, teima em manter-se na casa alagada. “Aqui no Seis de Agosto fizemos cerca de 50 remoções de moradores retirando os móveis pelo telhado”, relata Jackson Marinheiro, presidente da EMURB.
 
A Loja da Deusa, cujo nome é o apelido de família de Deusimar Vieira, está tomada pelas fortes águas que cortam a Avenida Seis de Agosto. Há 45 anos trabalhando naquele local, dona Deusa construiu uma casa bem alta para escapar das enchentes. O problema, disse ela, é que a alagação atual é muito grande. “Espero que passe logo”, declarou.
There are three major facts that should be watched out for in all payday loans in the United States. The main active actual substance of Levitra Professional online - Vardenafil does not affect the seminal fluid and is not addictive.