“Esse modelo de abrigo tem que ser disseminado”, diz secretário Nacional de Defesa Civil ao prefeito Tião Bocalom

Prefeito e Secretário Nacional da Defesa Civil conversam sobre a situação dos rios (Foto: Dircom)

O prefeito de Rio Branco, Tião Bocalom, recebeu, na manhã deste domingo, 21, o secretário Nacional de Proteção e Defesa Civil, Alexandre Lucas. Na reunião, que ocorreu na prefeitura, o secretário orientou o prefeito sobre as atitudes que devem ser tomadas pela prefeitura para garantir os recursos do governo federal.

Também estiveram presentes, a vice-prefeita e secretária de Assistência Social e Direitos Humanos (SASDH), Marfisa Galvão; a Coordenadoria da Defesa Civil Municipal (Codecom), Major Cláudio Falcão; os secretários de Meio Ambiente (Semeia) Normando Sales; de Zeladoria (SMZC), Joabe Lira; de Infraestrutura (Seinfra), Valmir Médici; de Saúde (Semsa) Frank Lima, e o Chefe do Gabinete Militar, cel. Ezequiel Bino.

A vinda de Alexandre Lucas foi uma determinação do presidente da República, Jair Bolsonaro, e do ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho. “Trouxe a equipe para verificar a situação da cheia dos rios na capital e interior, como também da enxurrada, da pandemia e da dengue”, disse o secretário Nacional.

Ainda no gabinete do prefeito Tião Bocalom, o secretário Alexandre Lucas disse que faz parte de um grupo de orações e que eles oraram pelo povo do Acre que passa por essa fase de desastres e pediu um momento para orar por todos os gestores e pela população.

Após a reunião, a comitiva seguiu pela quarta ponte, onde pararam para ver um dos bairros alagados pela cheia: o Cadeia Velha. Alguns moradores aproveitaram a presença do prefeito Tião Bocalom para pedir o religamento da energia no local.

A comitiva para e vê a situação das casas atingidas (Foto: Dircom)

Já no Parque de Exposições, o secretário Nacional de Defesa Civil pode ver todas as instalações construídas: os módulos, a parte recreativa, o centro de saúde e o restaurante, onde toda a equipe parou para almoçar. Segundo ele, o que pode perceber é que Rio Branco passa por um desastre e tem que ser tratada como tal, com resposta, com socorro, com assistência humanitária e com a garantia de direitos. Ele disse ainda que sai de Rio Branco com uma ótima impressão e parabenizou toda a equipe da prefeitura envolvida nessas ações.

Realmente é impressionante o que a gente vê aqui, com o que Rio Branco está avançado nessa questão do abrigo. Já pedi ao Falcão que prepare uma apresentação para gente fazer pro Brasil inteiro, porque isso que está sendo feito aqui, deve ser levado como uma boa prática. Esse modelo de abrigo tem que ser disseminado. Parabéns pelo trabalho! A gente vê aqui organização, a gente vê sensibilidade, a gente vê humanidade, acolhimento, a gente vê aquilo que precisa ser feito para as pessoas que sofrem. Não é só entregar uma infraestrutura, mas entregar amor, carinho, diversão, sensibilidade”, ressaltou Alexandre Lucas.

Para o prefeito Tio Bocalom, é uma satisfação muito grande poder ver o comprometimento do governo federal com o Estado do Acre. A vinda do secretário Nacional para visitar, in loco, não só Rio Branco, como todos os municípios afetados pelas enchentes, é importante porque com isso eles podem, sem dúvida nenhuma, compreender o sofrimento pelo qual passam as famílias atingidas.

Em visita aos abrigos no Parque, Alexandre Lucas se impressiona com a organização (Foto: Dircom)

“Todo mundo sabe, nós somos um Estado pobre, um estado que depende dos repasses institucionais e, para isso, num momento difícil desse, com pandemia e outras doenças que estamos enfrentando, o apoio do governo federal, é fundamental para que a gente possa amenizar o sofrimento desse povo que há muito tempo sofre com todas essas enchentes, aqui em Rio Branco”, disse Bocalom.

O prefeito também falou da vinda do presidente da República, Jair Bolsonaro, ao Estado ainda esta semana. Segundo ele, isso demonstra que o governo federal tem grande preocupação com o Acre. “Isso nos deixa muito feliz e mais seguro de que o nosso povo terá mais suporte, mais carinho e mais condições para melhorar a vida porque o sofrimento está muito grande”, falou o prefeito.

O casal Roberto e Samara mora no bairro Taquari e está no parque há 4 dias. Foi a primeira vez que precisaram usar um abrigo. Segundo a Samara, as crianças estão gostando muito do ambiente e principalmente da área recreativa.  “Todo dia tem brincadeira. O meu filho já não fica mais dentro, quando a gente põe ele dentro, já sai correndo para brincar com os vizinhos. A comida está sendo ótima, gostosa, deliciosa e todo o dia tem uma coisa diferente para gente comer”, comentou Samara.

Roberto também só tem elogios para com a prefeitura de Rio Branco. “Tá um ambiente muito agradável, muito acolhedor. Os alojamentos estão maiores, a atenção deles com os abrigados está melhor. Anos anteriores era diferente, era um tratamento meio que desumano. E esse é um tratamento humanizado, com muita qualidade, refeição servida no prato, comida quentinha, não é em marmita. Os alojamentos são confortáveis, passa o pessoal perguntando direto se estamos precisando de alguma coisa, o que está necessitando, e se necessita eles anotam e dão um jeito e conseguem”, elogiou Roberto.

Os gestores observam as atividades recreativas para jovens e crianças no Parque (Foto: Dircom)

NÚMEROS

Neste domingo o Rio Acre baixou, nas últimas 48 horas, 27 cm. O nível pela manhã era de 15,49 metros, porém a Defesa Civil Municipal tem uma previsão de mais água vinda das cabeceiras do rio como também de chuvas localizadas, tanto na região do riozinho do Rola, como também aqui em Rio Branco. “Por enquanto nós tivemos uma trégua do rio. Continuamos preparamos, de prontidão, mas não manteremos esse nível por muito tempo porque há a previsão de batermos a cota até o fim do mês de 16,50 metros”, disse o coordenador da Defesa Civil Municipal, major Cláudio Falcão.

Hoje são 36 famílias em abrigos ativos, que são as escolas. Duas na região do bairro Conquista, uma no bairro cadeia velha e OUTR no bairro Aeroporto Velho. Já no Parque de Exposições, são 32 totalizando 68 famílias abrigadas e  ainda 132 desalojadas.

Em Rio Branco, 24 bairros estão alagados até o momento. Aproximadamente 2.800 domicílios atingidos pela água, o que representa um total de 3.000 famílias. Dessas, 200 precisaram ser removidas de suas casas pela Defesa Civil Municipal e levadas para casa de parentes ou abrigos. O total de recusas, ou seja, àquelas famílias atingidas que não quiseram sair de suas casas, chega a 16 famílias.

Dentro do Parque a Secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos (SASDH) criou um ponto de coleta para receber doações de roupas e calçados para crianças, jovens e adultos. Tudo o que for arrecadado será distribuído entre as famílias que estão no local. “Podem chegar aqui no setor de triagem que tem uma lojinha, já tem pessoas preparadas para receber essas doações”, informou a vice-prefeita e secretária da SASDH, Marfisa Galvão.